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Mensagens - Mestre Cruz

#586
Sobrenatural (Geral) / Incêndio no Chiado
Setembro 27, 2018, 03:59:13 PM


Sei que o tema vem fora de tempo. No entanto aqui fica.
Desde os 16 anos tenho premonições com alguma frequência. O problema é que só consigo perceber que é uma, depois do facto acontecer.  ???

Foi a 25 de Agosto de 1988
Uma semana antes de acontecer, fui com a minha mãe fazer compras ao Grandella (grande armazém, em fase de saldos, na altura). Quando entrei, senti cheiro a queimado. Perguntei à minha mãe se sentia o cheio e ela negou.
Uma semana mais tarde, toda a gente soube que a Baixa da Capital estava a arder. Fiquei muito ansiosa, preocupada e triste ao mesmo tempo.
Sempre que falam ou me recordo do incêndio, lembro-me que senti o cheiro. Ainda hoje acho muito estranho.
#587
Sobrenatural (Geral) / Falsas Premonições
Setembro 27, 2018, 03:57:42 PM


O que pensar das premonições falsas?
Aqueles sonhos que temos, nos parecem demasiado reais, e não se concretizam.
Alguém já teve? Serão apenas projecções da nossa mente?
#588
No ano de 1503, nasceu o francês Michel de Nostredame, um médico da Renascença que praticava alquimia e possuía conhecimentos sobre o ocultismo.
Com a sua habilidade de prever o futuro, ele começou a escrever uma série de almanaques anuais e passou a utilizar o seu nome em latim, de Nostredame para Nostradamus.

Porém, estamos em 2017, como todos já sabem. Mas o que o ano que vivemos nesse exato momento, tem a ver com isso? Acredite! Ele fez previsões que podem refletir nos rumos que a sociedade e o mundo de modo geral estão tomando.

https://youtu.be/fo6cybfcTF0
#589


Lenda da Perna de Gião (Serra de Serpa)


Os Giões são seres enigmáticos guardiões e protectores da floresta que habitam a Serra de Serpa havendo relatos antigos de avistamentos destes pequenos seres em terras de Mértola e na Serra do Caldeirão.

Vivem em tocas, covas e em pequenas grutas existentes em escarpas e em fendas debaixo das raízes de árvores frondosas ou em cerrados arbustos.

Por vezes conseguem ser vistos em noites de lua cheia junto a charcas, poços, riachos e ruínas de montes abandonados pelo que se crê serem seres de actividade essencialmente nocturna.

Em termos fisionómicos são pequenos humanoides, de cor verde acastanhada, a rondar os 15 cm, bastante inteligentes, ágeis e velozes com uma personalidade desconfiada, reservada e susceptivel. Acredita-se que a sua alimentação seja variada, à base de pequenos roedores, anfíbios, pequenos repteis, frutos, raizes, cogumelos e tubérculos que se podem encontrar na floresta, linhas de água e matagais da Serra de Serpa.

Nas noites escuras e calmas, segundo testemunhos que vão desde os primeiros habitantes desta serra até aos dias de hoje, ouvem-se por vezes ruídos a que se assemelham a cânticos e gargalhadas que ecoam por montes e vales, sons esses que são atribuídos a estes seres.

No sitio Perna de Gião, bem no coração da Serra de Serpa, há uma velha lenda com estes estranhos seres e que diz o seguinte:

Reza a lenda que as cinco tribos de Giões que habitam a Serra de Serpa reúnem-se nas noites do Solstício de Verão (quando esta noite é coincidente com uma noite de lua cheia) em locais secretos e encantados e onde os anciãos e o seu povo convivem, cantam, dançam e debatem os seus destinos.

Numa destas datas, não se sabendo ao certo o ano um rapaz de tenra idade brincava num riacho quando ouviu um ténue sussurro como que um chamamento. Intrigado, procurou descobrir de onde vinha aquele som e aproximou-se de um poço. Ao debruçar-se sobre o muro do poço olhou lá para dentro e viu um pequeno ser quase sem forças e ferido entrelaçado e preso nas raízes e nas vagens de uma planta.

O jovem rapaz a custo tirou o Gião quase inanimado do poço e tratou-lhe dos ferimentos, sobretudo a que ele tinha numa das pernas para que este pudesse continuar a sua jornada para o grande fórum que iria ocorrer ainda nessa noite.

O Gião já recuperado e antes de continuar a sua viagem, como agradecimento, disse ao rapaz para no dia em que fizesse dezoito anos cavar perto do poço onde fora salvo e onde três vales se encontram a fim de encontrar uma grande preciosidade, mas que teria de manter segredo até lá.

O jovem menino nunca se esqueceu deste encontro e cumprindo religiosamente o seu voto de silêncio, anos depois, no dia em que completou os seus dezoito anos pegou numa pá e numa enxada e depois de um intenso dia de trabalho a revolver o solo junto ao poço que o Gião mencionou encontrou, já ao pôr do sol, um velho pote de barro cheio de moedas de ouro e pedras preciosas.

A partir dessa data esse sitio ficou conhecido como "Perna de Gião" dizendo-se ainda nos dias de hoje que a água do poço em que o Gião foi salvo tem propriedades curatórias para muitas maleitas.

https://blogmouraencantada.wordpress.com/tag/lenda/
#590
Sobrenatural (Geral) / Mouras Encantadas
Setembro 27, 2018, 03:53:00 PM


As moiras ou mouras encantadas são espíritos, seres fantásticos com poderes sobrenaturais dos folclores português e galego. São "seres obrigados por oculta força sobrenatural a viverem em certo estado de sítio como que entorpecidos ou adormecidos, enquanto determinada circunstância lhes não quebrar o encanto".

Segundo antigos relatos populares, são as almas de donzelas que foram deixadas a guardar os tesouros que os mouros encantados esconderam antes de partirem para a mourama.

As lendas descrevem as mouras encantadas como jovens donzelas de grande beleza ou encantadoras princesas e "perigosamente sedutoras". Aparecem frequentemente cantando e penteando os seus longos cabelos, louros como o ouro ou negros como a noite, com um pente de ouro, e prometem tesouros a quem as libertar do encanto.

Podem assumir diversas formas e existe um grande número de lendas, e versões da mesma lenda, como resultado de séculos de tradição oral. Surgem como guardiãs dos locais de passagem para o interior da terra, os locais "limite", onde se acreditava que o sobrenatural podia manifestar-se. Aparecem junto de nascentes, fontes, pontes, rios, poços, cavernas, antigas construções, velhos castelos ou tesouros escondidos.


Origem

Julga-se que a lenda das mouras terá a sua origem em tempos pré-romanos. As mouras encantadas apresentam várias características presentes na Banshee das lendas Irlandesas. Também na mitologia Basca, os Mairu (mouros) são os gigantes que construíram dólmens e os cromeleques. Na Sardenha podemos encontrar os domus das Janas (casa das fadas).

Leite de Vasconcelos levantou a hipótese de as mouras encantadas poderem ter assimilado as características de divindades locais, como ninfas e espíritos da natureza. O mesmo juízo fazia Consiglieri Pedroso ao considerar as mouras "génios femininos das águas".[4]

Na Península Ibérica, as lendas de mouras encantadas encontram-se também na mitologia Galega e Asturiana. Na tradição oral portuguesa, as Janas são uma outra variante de donzelas encantadas. Na mitologia polaca, a Mora é o espírito que deixa o corpo dos humanos à noite durante o sono. Na mitologia da Letónia, Māra é a deusa suprema. Na mitologia escandinava, Mara ou Mare é o espírito errante que deixa o corpo das mulheres durante a noite e causa pesadelos.

Etimologia

"poisámoira"[5] ou mariposa
Especula-se que o termo "mouro", nesta acepção, não derivaria do latim maurus ("habitante da Mauritânia") mas do proto-celta *mrwo> *marwo que significa morto.[6] Outra teoria é que o termo possa derivar da palavra grega "moira" (μοίρα), que literalmente significa "destino", e das Moiras, divindades originárias da mitologia grega. Também se considera uma possível origem a palavra latina "maurus", "obscuro", nome dado aos nativos da Mauritânia.

Outra corrente indica que a origem poderá vir das palavras celtas "mori", que significa mar, ou "mori-morwen", que designa sereia, provavelmente relacionando as mouras com as ondinas ou as ninfas, os espíritos sub-humanos que habitavam nos rios e nos cursos de água.

Uma outra possível origem de moura (moira), também de origem celta, é "mahra" e "mahr", que significa espírito

Variantes de Mouras

A moura-fiandeira carregou a Pedra Formosa à cabeça enquanto fiava
A Princesa Moura é uma muçulmana encantada que habita um castelo e apaixona-se por um cavaleiro cristão do tempo da Reconquista. A Lenda da Moura Salúquia é uma outra variante: em vez de um cristão, o amor da Princesa Moura é um mouro. Muitas destas lendas tentam explicar a origem de uma cidade e evocam personagens históricas, outras lendas apresentam um carácter religioso como acontece na lenda de Oureana. No contexto histórico, os lugares, as pessoas e acontecimentos situam-se num mundo real, e existe uma localização temporal bem definida. No entanto, é possível que factos reais se tenham simplesmente fundido com antigas narrativas lendárias.

A Moura-fiandeira transporta pedras sobre a cabeça e fia com uma roca à cintura. A tradição popular atribui a estas mouras a construção de castros, citânias, e outros monumentos megalíticos. As moedas antigas encontradas nas citânias e castros eram chamadas de "medalha das mouras". A Pedra Formosa encontrada na Citânia de Briteiros terá sido, segundo narrativas populares, levada à cabeça para este local por uma moura que fiava uma roca.

Quem se sentasse em uma Pedra-Moura ficaria encantado, ou se alguma pedra encantada fosse levada para casa, os animais poderiam morrer. As "Pedras-moura" guardavam riquezas encantadas. Existem várias lendas em que a moura, em vez de ser uma pedra, vive dentro de uma pedra. "A moura, porém, na nossa tradição como que vive dentro da pequena pedra que é arrojada no rio. Mas as fairy irlandesas também vivem no interior das pedras." Na tradição popular diz-se que no penedo «entra-se para dentro» e «sai-se de dentro», dizer possivelmente relacionado com as lendas das mouras. A moura é também descrita a viajar para a mourama, sentada numa pedra que pode flutuar no ar ou na água. Dentro de grutas e debaixo das pedras, muitas lendas falam que existem palácios com tesouros.

A Moura-serpente é uma moura encantada que pode tomar a forma de uma serpente. Algumas destas mouras serpentes, ou mouras-cobra, podem ter asas e podem aparecer como meio mulher meio animal, como na lenda da serpente de Noudar ou do Monte d'Assaia.

A Moura-Mãe toma a forma de uma jovem encantada que está grávida, e a narrativa centra-se na busca de uma parteira que ajude no nascimento e na recompensa que lhe é dada.

A Moura-Velha é uma mulher idosa; as lendas em que aparecem mouras com figura de velha não são frequentes.

Elementos das lendas

casa da moura

sepulturas cavadas na rocha chamada Masseira, onde a moura amassa o pão
O ouro das Mouras pode aparecer em variadas formas: figos, pedras, carvões, saias, meadas, animais e instrumentos de trabalho. Existem diferentes meios de se obter o ouro: pode ser oferecido pela moura como recompensa, roubado, ou achado.

Frequentemente está dentro de um vaso, escondido dentro de panelas enterradas ou outros recipientes, o que já levantou a questão se seria alguma alusão a uma urna cinerária.

É no dia de São João que se acredita que as mouras aparecem com os seus tesouros, quando se pode quebrar o seu encantamento. Em algumas lendas é neste dia que a moura encantada espalha os figos num penedo, ao luar. Noutras variantes, a moura espalha os figos ou a meada de ouro ao sol em cima do penedo. Estas lendas estão possivelmente relacionadas com a tradição popular de, nalgumas regiões, apanhar-se o figo lampo no dia de São João, um figo branco que se levava de presente. Este dia marca a data do solstício de Verão, sendo a sua referência talvez a reminiscência de algum culto solar pagão.

A fonte é um dos locais que as mouras aparecem frequentemente, muitas vezes como serpentes. Muitas vezes eram atribuídas virtudes mágicas às suas águas, como na Fonte da Moura Encantada. Também é do costume popular dizer de quem casou em terra alheia, "bebeu da fonte" e ficou enamorado, numa alusão às lendas em que os jovens se apaixonam e ficam encantados pelas mouras.

O encantamento da moura pode ser causado pelo pai ou algum outro mouro (ou génio) que a deixou a guardar os tesouros, geralmente uma figura masculina. São geralmente os mouros que têm o poder de encantar as mouras. Nas lendas, a moura pode aparecer sozinha, acompanhada de outras mouras encantadas, ou de um mouro, podendo este ser um pai, a pessoa amada, ou um irmão.

Para se realizar o desencantamento da moura, pode ser solicitado segredo, um beijo, um bolo ou pão sem sal, leite, o pronunciamento de algumas palavras, ou a realização de alguma tarefa, como não olhar para algo velado e aguentar a curiosidade. Falhar é não desencantar a Moura e "dobrar o encanto", não obter o tesouro desejado ou perder a moura amada.

Nas lendas em que é solicitado o pão, levanta-se a hipótese de estarem relacionadas com a antiga tradição de se oferecer alimento aos defuntos. Do mesmo modo, o leite pode estar relacionado com as oferendas que se faziam às águas das fontes e às cobras. A população mais antiga contava também que as cobras gostavam muito de leite. Uma das lendas das mouras de Formigais faz referência à preferência das mouras por leite. Quando desencantada, a moura pode tornar-se humana e casar com o seu salvador ou desaparecer. Na "Lenda do cinto da moura", depois de desencantada os mouros tentam encantar novamente a moura e fazer com que retorne à mourama.

A mourama é um local mágico onde moram os mouros encantados. Nas lendas com um contexto histórico, é o local onde os mouros muçulmanos vivem.

O tempo da mouraria representa um tempo incerto no passado, a mesma referência intemporal do "Era uma vez" ou o "Há muito muito tempo", com que começam os contos de fadas.

As mouras eram associadas a vários fenómenos naturais ou elementos da natureza. Acreditava-se que o eco era a voz das mouras. Algumas lendas contam que há locais onde ainda é possível ouvir uma moura a chorar.

Os monumentos funerários são frequentemente associados às mouras.[12] Em algumas regiões, as antas são chamadas popularmente de mouras ou Casa da Moura, e antigamente acreditava-se que as mouras viviam nestas construções. A Pedra da Moura, a Antas de Pala da Moura, e a Anta da Arquinha da Moura são exemplo dos monumentos associados às lendas.

Outro tipo de sepultura associada às mouras são as sepulturas cavadas na rocha, como é o caso de Cama da Moura, Cova da Moura e Masseira. Segundo a narrativa popular, a sepultura chamada Masseira era o lugar onde a "moura amassava o pão".[13] Numa outra versão da lenda, o monumento pré-histórico Pedra Escrita é o local da sepultura de uma moura.

Caçadores de tesouros
A lenda do ouro das mouras atraiu alguns caçadores de tesouros. Na busca dos tesouro, as escavações feitas nos locais onde as lendas diziam haver tesouros causaram a destruição de alguns monumentos históricos como mamoas e antas.

Uma passagem do "Pseudo-Turpin" (Liber IV do Liber Sancti Jacobi): "Portanto foi-lhes imposto, sempre que acontecia, fugir do país e enterrar as suas jóias na terra" [14] pode ter influenciado, no passado, a crença de que haveria tesouros enterrados pelos mouros.

Locais das mouras
Vários são os locais associados às lendas das mouras encantadas, muitos dos quais são de interesse histórico:

Povoado fortificado: Penedo da Moura, Horta da Moura
Necrópole: Cama da Moura, Necrópole da Moura da Serra
Anta: Penedo da Moura, Casa da Moura, Vale de Moura
Arte rupestre: Cabeço da Moura, Toca da Moura
Sepultura: Sepultura da Cama da Moura
Dólmen: Dólmen da Lapa da Moura
Mamoa: Cova da Moura, Capela das Almas Mouras
Abrigo: Pala da Moura
Menir: A-de-Moura
Monumento megalítico: Casa da Moura (Orca do Gato)
Gruta: Cova da Moura, Buraca da Moura
Mina: Cova da Moura
Tesouro: Moura da Serra
Lagar: Fraga da Moura
Gruta artificial: Casa da Moura do Cabeço de Turquel
Silo: Rua das Portas de Moura
Galeria coberta: Grémio da Lavoura de Moura
Na literatura[editar | editar código-fonte]
Moura encantada   Este romance cantam os planetas e sinos a quatro vozes, pera com as palavras dele e música desencantarem a moura Tais de seu encantamento, a qual entra com o terçado e anel e didal de condão, que Mars disse que ela tinha em seu poder, [...]   Moura encantada
— Cortes de Júpiter, Gil Vicente
Uma das referências literárias medievais às mouras encantadas encontra-se na peça teatral Cortes de Júpiter de Gil Vicente, representada em 1521.
As últimas décadas do século XIX foram marcadas por alguns esforços para se criar um registo escrito das lendas das mouras encantadas. Almeida Garrett, frequentemente citado como um dos pioneiros na recolha de lendas, faz referência às mouras encantadas no poema D. Branca.
A moura encantada é descrita como: "É uma figura branca, toda branca, muito branca, co os cabelos, nem fios de ouro,soltos pelas costas; e aparece a bailar na água de um lado para o outro..."no livro Os tripeiros: romance-chronica do seculo XIV[15]
"E vós, formosas mouras encantadas,
Na noite de S.João ao pé da fonte,
Áureas tranças com pentes de ouro fino
Descuidadas penteando
enquanto o orvalho
Nas esparsas madeixas arrocia
E os lindos anéis de perlas touca."
— D. Branca, Almeida Garrett

Vários registos de lendas foram feitos nos séculos XIX e XX por Gentil Marques, Fernanda Frazão, Leite de Vasconcelos , Maria José Meireles (no livro Lendas de Mouras encantadas) e Alexandre Parafita (nos seus livros A Mitologia dos Mouros, O Maravilhoso Popular e Património Imaterial do Douro, 2 Vol.s).
Na sua obra "A Mitologia dos Mouros", publicada em 2006, Alexandre Parafita faz o registo de 263 lendas de mouros e respectivas variantes (com exclusão das lendas romanceadas), e, no estudo e interpretação que faz, estabelece uma assimetria entre "mouros históricos" e "mouros míticos", cabendo nestes últimos o arquétipo da "moura encantada". Segundo este estudioso, no lendário popular, a moura aparece, umas vezes como guardiã de tesouros e de refúgios inacessíveis, tecedeira, tendeira, padeira, dançarina e cantora, acautelando a beleza com pentes e fios de ouro, outras vezes transfigurada, por encanto, nas formas de serpentes, touros, sapos, cabras, vozes e ruídos estranhos, e quase sempre em grutas, penedos, fontes, rios, cisternas, antas, castros, torres ou poços.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Moura_encantada
#591
Sobrenatural (Geral) / A lenda de Maria Sangrenta
Setembro 27, 2018, 03:52:09 PM
Maria Sangrenta (Bruxa do espelho, ou Bloody Mery segundo as lendas americanas) Foi uma mulher que teve um caso com o coronel de sua cidade.

Mais tarde ela descobriu que o coronel tinha um caso com outra mulher, e só estava de olhos nas terras dela, então ela se trancou em seu quarto e se matou na frente do seu enorme espelho (o espelho em que ela ficava se admirando), seu espirito ficou preso naquele espelho.

Anos mais tarde uma mulher chamada Patrícia (Mãe solteira) comprou aquelas terras e ficou sabendo do mito, que se chamasse o nome "Maria Sangrenta" três vezes ela aparecia e matava quem a invocou. E se ela fosse invocada duas vezes seu espirito ficaria livre para todo o sempre.

Um belo dia Patrícia levou sua filha Paula de 12 anos, e seus amigos Marcos de 10 anos, Ana de 13 e Maurício de 11. Na noite daquele dia o caseiro João deixou sua foice perto da porta, e as crianças depois de terem ouvido a história, resolveram fazer um filme amador e pegaram a foice; Já estava ficando tarde então todos foram se deitar, menos Marcos, que estava no quarto que foi de Maria.

Ele acendeu uma vela olhou bem pro espelho e chamou a primeira vez: "Maria sangrenta". Nada aconteceu, então ele chamou a segunda: "Maria sangrenta" nesse instante a vela que está em sua mão se apaga, ele liga a câmara que está em sua mão e começa a filmar, e quando ele chama pela terceira vez: "Maria sangrenta", todos da casa ouvem um barulho, Patrícia sobe e diz para as crianças ficarem na sala enquanto ela vai ver o que aconteceu, mas as crianças sobem até o quarto, e se deparam com o amigo estirado no chão sangrando sem parar, as crianças começam a chorar, o caseiro João vem e vê que a sua foice esta no lugar do crime, e ele vai preso como o assassino.

Mas as crianças pegam a câmara e ao ver a filmagem, na terceira vez que Marcos chama a "Maria sangrenta" a metade do rosto de uma mulher aparece no canto do espelho. As crianças resolvem não contar para Patrícia, elas sobem até o quarto e chamam: "Maria sangrenta", a segunda vez: "Maria sangrenta" e a terceira: "Maria sangrenta".

Logo se deparam com uma mulher assustadora saindo do espelho e pegando a foice que estava atrás da porta. As crianças saíram correndo e passaram pelo quarto de Patrícia, que quando saiu foi morta pela criatura. Agora ela corre atrás das crianças, Maurício tropeça e é pego e morto. As meninas correm chorando pra baixo na pia da cozinha, e veem ela passando, quando Ana vai conferir se ela se foi, sua cabeça é arrancada brutalmente. Maria agora segue para matar a última vitima (Paula) que implora que não a mate, mais ela sem piedade mata a menina.

Os detetives deram o paradeiro como desconhecido.
#592
Sobrenatural (Geral) / O lado Negro de Peak of Lonlyness
Setembro 27, 2018, 03:51:34 PM
O que você vai ler é uma lenda urbana moderna difundida pela internet, por fóruns, e-mails e redes sociais. Normalmente podem ser fictícias, sem provas ou fontes confiáveis, ficando assim apenas como um conto de terror, mas... e se forem reais.

Essa é a história de três jovens: Teles, Sandra e Austin. Eles desapareceram sem deixar rastros há 3 anos, e tudo que a polícia conseguiu encontrar para fins de investigação, foi uma câmera e um gravador. Eles eram donos de um blog, onde postavam vídeos de sua própria autoria. Geralmente, pegavam contos e lendas sobrenaturais e tentavam provar sua veracidade, sempre filmando suas "aventuras". Austin era o câmera-man, enquanto os outros dois "apresentavam".

Seu último post no blog, foi sobre a lenda de Peak of Lonlyness, uma cidadezinha, estilo velho oeste, num deserto dos EUA. Diz a lenda que ninguém consegue ficar por mais de sete dias nessa cidade. Os três resolveram que essa seria sua próxima "aventura". Então, viajaram até lá e levaram seus equipamentos de filmagem e sua van.

Tudo que será descrito a seguir foi encontrado numa câmera de vídeo e em um gravador de áudio. São vários vídeos e áudios.

DIA 1
Chegada na cidade e início das gravações.
Teles vê uma placa na entrada da cidade. Nela estava escrito em letras garrafais: "Bem-vindo à Peak of Lonlyness", e acima disso, estava escrito com uma substância que eles acreditaram ser sangue: "Vá embora".
Sandra então conta sobre a lenda da cidade para a câmera. Diz que ninguém consegue ficar lá por mais de sete dias. Teles completa, dizendo que existiam outras lendas sobre o local, uma delas dizia que espíritos de nativos habitavam a cidade, outra, que as casas tinham vida própria e andavam.
Eles entram na cidade.
A noite, eles reúnem-se em volta de uma fogueira, deixando a câmera filmá-los a certa distância (provavelmente em um tripé). Os jovens estavam munidos de um gravador e o deixaram ligado.
Eles escutam sons de grilos e sapos, que são os típicos sons da noite. O detalhe que eles deixaram passar, era o fato de que estavam em um deserto, onde não existem grilos ou sapos. Repentinamente, o som pára, mas não apenas o dos animais, como também o da fogueira e sua respiração.
- Isso é muito estranho! - diz Teles - Ouçam, todo o som sumiu, menos os de nossas vozes. Espere, vou mostrar aqui o que o meu gravador gravou.
Entretanto, no gravador os sons não pararam.
- Acho melhor nós irmos dormir - diz Austin.
Então eles apagam a fogueira e se cobrem em sacos de dormir. Austin deixa a câmera ligada durante a noite. Após cerca de duas horas, quando eles já se encontravam em sono profundo, a fogueira misteriosamente se acende, e a câmera passa a gravar a fogueira acesa.



DIA 2

Eles acordam. Sandra fala para a câmera que eles darão um passeio pela cidade. Eles andam calmamente pelas ruas desertas, quando de repente, coisas começaram a ser arremessadas no ar.
Aparentemente, não havia ninguém arremessando nada, e os objetos que não foram possíveis identificar no vídeo, voavam sozinhos.
Eles voltam para o acampamento. Encontram o computador quebrado. Desligam a câmera.
Sandra faz outra apresentação para a câmera dizendo que já estava passando de meio-dia, e narra o acontecido da manhã. Eles vão novamente para a cidade, e vários objetos voam de dentro das casas, como se estivesse ocorrendo um furacão. Entretanto, o vídeo não grava nenhum vento.
Entram em uma das casas e separam-se. Austin fica com a câmera e Teles com o gravador. Sandra está de mãos vazias. De repente, manchas escuras surgem e puxam as pernas de Sandra e Teles em direções opostas. Eles perguntam se Austin viu o que os puxou. Austin afirma não ter visto nada, apenas seus corpos caindo.
Alguns minutos depois, todas as portas da casa se abrem sincronizadamente, acompanhadas de um barulho muito alto.
Os três saem correndo de lá.
À noite, Austin para de gravar, para assistir o que foi gravado, mas deixa o gravador ligado. Ele descreve as manchas escuras que puxaram Teles e Sandra e afirma que vai dormir na van, e não sairá de lá até que eles tenham saído da cidade.
O gravador é desligado e a câmera ligada.
Novamente a câmera é colocada no tripé e filma durante a noite. E a fogueira permaneceu acesa misteriosamente, como na noite anterior.



DIA 3

Teles e Sandra vão para a cidade sozinhos. Eles andam pelas ruas, falando que esperam encontrar assombrações, Teles com a câmera.
Entram em outra casa. Sandra afirma que parecia que as casas haviam mudado de lugar na cidade. Teles ri.
Lá dentro, separam-se. Teles, portando o gravador, vai para o andar de cima e deixa Sandra no de baixo com a câmera.
Ela anda pela casa usando visão noturna, pois as janelas da casa estavam fechadas e lacradas com tábuas.
Ela afirma que não enxerga quase nada.
De repente, escuta-se a voz de Austin dizendo:
- Acho melhor sair da casa!
Sandra responde:
- Não, seu medroso! Precisamos investigar a cidade toda. Se não quer ficar aqui, por que veio? Sai daqui, Austin.
Ao mesmo tempo que isso acontecia, Teles, no gravador, caminha e tropeça, derrubando-o no chão. Ouve-se barulhos dele tateando o chão, tentando encontrar o objeto no escuro. Ouve-se um ruído, é o gravador sendo pego.
A voz de Austin:
- Aqui, o gravador.
- Austin, o que está fazendo aqui?
- Acho melhor irem embora!
- Só depois de ver a casa.
Eles retornam ao acampamento e encontram Austin dormindo. Eles acordam o amigo para contar o que aconteceu, e ele lhes conta o sonho que teve.
- Foi estranho, um espírito se aproximava de mim e dizia que era melhor sairmos da cidade agora.
- Austin - diz Sandra - sabemos que você quer sair da cidade, mas não precisa inventar essas coisas. Nós não nos assustamos tão facilmente. Aliás, não sairemos daqui até o sétimo dia!
- Mas é sério, eu sonhei com um espírito e ele disse que coisas ruins iriam acontecer se nós não saíssemos da cidade logo!
- Austin, pare com isso - falou Teles.
- Mais uma coisa... - falou Sandra - se está com tanto medo, por que entrou na casa?
- Eu não entrei na casa. Fiquei aqui o tempo todo! Vejam, estou até tentando consertar o computador.
- Mas eu ouvi a sua voz!
- É, e você me deu o gravador de volta!
- Desculpem, mas eu não entrei lá!
Eles desligam a câmera e ligam logo em seguida. Sandra conta para a câmera que, revisando as filmagens, não havia ninguém na casa, mas escutou-se a voz de Austin na filmagem e na gravação de Teles.
- Impossível! - afirma Teles - Eu vi uma silhueta que parecia o Austin e ele me deu o gravador. Se não era ele, o que era?
- Não sei! - fala Austin - Mas esse é mais um motivo para eu não sair da van.
Ao dizer isso ele volta para o carro. A câmera é desligada.
A câmera é ligada novamente quando eles vão dormir, e deixada no tripé filmando. A fogueira continua acesa, e dessa vez, vê-se claramente uma sombra passando pela fogueira e, logo após isso, a mesma se apaga.



DIA 4

Teles conta para a câmera que trouxe consigo uma arma, para a proteção dele e dos amigos, e afirma que resolveu leva-la com ele desta vez.
Teles e Sandra vão para a cidade. Austin fica na van.
Enquanto caminham pela cidade quando aparentemente são empurrados em direções opostas. Sandra cai no chão portando a câmera, que consegue filmar Teles caindo dentro de uma casa há alguns metros de distância.
Eles se levantam. Teles fica na casa enquanto Sandra se aproxima dele. Ao chegar bem perto, a porta se fecha subitamente! Ouve-se gritos e batidas muito violentas na porta. Sandra tenta abrir a porta, mas ela parece estar trancada.
Os gritos param e ouve-se uma última e violenta batida contra a porta. Ela gira a maçaneta e a porta se abre. Ao entrar na casa, Sandra procura por Teles. Ela encontra o gravador jogado no chão, e anda pela casa chamando pelo nome do amigo. Ela anda muito rápido por todos os cômodos da casa, e enfim, retorna à sala principal. Se escuta uma voz dizendo:
- Eu disse para saírem...
Sandra começa a correr com a câmera na mão para fora da casa. Quando chega ao acampamento, conta a Austin o que aconteceu. De repente, ela vira a câmera para o outro lado e lá está Teles, com a cabeça baixa e a arma na mão.
- Ainda bem que o encontrei! - falou Sandra - Eu estava preocupada. O que aconteceu dentro daquela ca...
Ele levanta a cabeça em um gesto rápido e carrega a arma. Teles aponta a arma para seus amigos. Austin com o susto se joga no chão e Sandra se esquiva para a esquerda, segurando a câmera. Teles aponta a arma para a própria cabeça.
- Disse para vocês saírem da cidade! - diz ele com uma voz sombria.
Sandra deixa a câmera no chão e pula em cima dele antes que aperte o gatilho. O que aparece no vídeo são suas pernas, e é possível identificar uma luta pela posse da arma, até que Teles cai no chão.
Sandra pega a câmera e conta que Austin golpeou o amigo na nuca para que ele parasse. Quando vira a câmera para filmá-lo no chão, ele não está lá.
- Vamos sair daqui! - diz Austin.
- Não sem o Teles!
Austin e Sandra resolvem dormir juntos e deixam a câmera novamente ligada no tripé. Após algum tempo que eles estão dormindo, a câmera fica escura. Quando volta, está filmando uma imagem diferente. A imagem parece com um rosto, muito perto da lente.



DIA 5

Sandra e Austin acordam mais cedo e vão procurar por Teles, afirmando que ele estava possuído no dia anterior.
Eles andam pela cidade e entram em algumas casas, sempre gritando pelo nome de Teles.
Logo escuta-se um barulho e a câmera para trás, a tempo de ver um vulto entrar em uma casa. Eles vão até lá. Ao entrar, afirmam não conseguir ver muita coisa, pois as janelas estão bloqueadas. A câmera tem uma visão noturna, mas andar olhando através dela é difícil.
Uma porta se fecha violentamente atrás deles e algo puxa Sandra para dentro de um cômodo, cuja porta também fecha. Ouve-se gritos de Sandra, e Austin tenta abrir a porta. Então, Austin e a câmera são arremessados contra a parede por algo que não foi possível identificar.
Ele se levanta. A porta do cômodo em que Sandra está presa, abre. Ele a puxa para fora, e vão juntos para fora da casa.
imediatamente vê-se Teles, de costas para eles, com uma arma na mão. Ele a levanta e aponta para sua cabeça. Sandra tenta agarrá-lo para impedi-lo. Austin larga a câmera e corre em direção a eles. Novamente se constata uma luta. Logo, a arma é jogada para longe e Teles cai desmaiado. A câmera é desligada.
Liga-se a câmera. Já é noite. Teles afirma não lembrar o que aconteceu.
Os três vão dormir e, novamente, deixam a câmera no tripé. A câmera grava uma silhueta masculina parada em pé, próximo aos três por um bom tempo e depois vai embora.



DIA 6

Esse é o sexto dia deles na cidade de Peak of Lonlyness. Só faltava mais um dia, além de hoje, para eles detonarem o mito. O mito que dizia que ninguém conseguia ficar na cidade por mais de sete dias.
Austin liga a câmera filma os dois amigos, que parecem estar muito perturbados. Eles contam que acabaram de ver a gravação noturna, e falam sobre a silhueta masculina parada perto deles.
Eles começam a olhar em volta, como se enxergassem algo, mas a câmera não filma nada.
- Quem são eles? – indaga Sandra
- Não sei... – gagueja Teles
Lentamente os três levantam e caminham calmamente em direção à van. Austin permanece filmando o nada. Sandra murmura:
- Eles estão girando a cabeça em nossa direção...
- Continua andando. – diz Austin
Eles começam a correr. Entram na van e tentam ligá-la.
- Ela está muito tempo parada, - diz Austin - Vai ser difícil ligar.
Teles continua tentando ligar a van. Sandra começa a chorar e gritar. Austin se mantem na parte traseira, e continua filmando o nada.
A van começa a chacoalhar e escuta-se batidas. Sandra entra em desespero e Austin tenta acalmá-la. Teles liga a van, pisa fundo e logo estão fora da cidade.
Austin vira a câmera para o nada e diz que não vê mais nada.
- Aquilo não era real, achei que iríamos morrer. – diz Sandra, aos prantos
- Bem, - diz Teles - Não quero nunca mais voltar aí. Agora sabemos que a lenda é real.
- O melhor - falou Austin - é que temos tudo gravado. Esse vai ser o nosso melhor post no blog!
- Que seja!- disse Sandra - Eu só quero voltar para casa.
As investigações da polícia afirmam que eles voltaram para casa. Reuniram-se na casa de Austin para editar os vídeos e fazer os posts para o blog. A polícia encontrou um rascunho de post que nunca foi ao ar, onde dizia:

"Acabamos de chegar da viagem mais louca de nossas vidas! Gravamos tudo em vídeo e vamos postar aqui. Podemos afirmar que a lenda de Peak of Lonlyness é real, e que tivemos contato com espíritos de verdade. Vamos assistir agora nossos vídeos e logo depois postaremos. Abraços de Austin, Teles e Sandrinha."

Tudo que você ler a partir daqui é exatamente o que estava no último vídeo encontrado na câmera:
Alguém segurando a câmera entra na casa de Austin. A pessoa sobe, vai até o quarto de Austin e abre a porta. Pode-se ver Austin, Sandra e Teles sentados em frente à um computador vendo um vídeo. O vídeo era exatamente o que essa câmera estava filmando. Os três, então, olham para trás bem devagar e, quando fixam o olha na câmera, ela cai no chão. A câmera filma a porta do armário. Ouve-se um barulho muito alto, gritos e a câmera desliga.

Nunca mais ouviu-se falar dos três amigos!
#593
Sobrenatural (Geral) / Fantasmas Contemporâneos
Setembro 27, 2018, 03:51:00 PM


O presente está repleto de fantasmas do passado habitando velhas casas, cemitérios, teatros. Uma alma penada pode passar centenas de anos sem descanso em um apego psicótico pelos lugares onde viveu, sofreu, foi feliz e morreu. Pode-se ponderar que é tempo demais para um espírito continuar preso às afeições e paixões de uma vida que, definitivamente, não vai recuperar jamais. Todavia, o que é o tempo para quem tem a eternidade? Isso não significa que mortos mais recentes não se convertam em fantasmas. As tragédias continuam a acontecer e muitas almas têm-se se convertido em assombrações contemporâneas, como os artistas de Hollywood comentados nesta reportagem. No Brasil e no mundo, uma nova geração de fantasmas vai fazendo a história das aparições.
Em São Paulo, o roteiro turístico programa visitas a lugares assombrados da metrópole: o Castelinho da Rua Apa, no bairro de Santa Cecília, palco de misterioso crime ocorrido em 12 de maio de 1937 onde morreram a tiros todos os membros de uma rica família: Dona Maria Cândida Guimarães dos Reis e seus dois filhos Álvaro e Armando Reis. A polícia encontrou os corpos estendidos entre o escritório e a sala. Uma pistola < 9mm estava pródio; aventa-se um disparo ocasional e fatal desencadeando a tragédia. É um mistério e a casa ficou com a fama de assombrada.

No edifício

oelma, cenário de famoso incêndio cujas cenas de horror, pessoas se atirando pelas janelas, foram transmitidas pela TV em 1974. Treze pessoas morreram dentro de um elevador. Hoje são protagonistas da lenda: o "mistério das 13 almas" às quais são atribuídos até milagres. Dizem que o lugar já era amaldiçoado desde a década de 1950, quando ali se erguia a estalagem do Bexiga e aconteceu um crime que chocou a cidade: um rapaz matou a mãe e a irmã e jogou-as num poço. O assassino se suicidou.
Também estão no roteiro paulistano: a Casa de Dona Yayá, ou Sebastiana de Mello Freire, no Centro, que tinha problemas mentais, vivia isolada de tudo e de todos e morreu em 1961; a Capela dos Aflitos, no bairro da Liberdade onde os escravos eram enforcados; ainda na Liberdade, a Igreja Santa Cruz das Almas, testemunha do enforcamento do soldado Francisco José das Chagas que precisou de três tentativas do carrasco para morrer; o Palácio da Justiça, onde os injustiçados choram e reclamam das penas que lhes foram impostas em vida; o edifício Martinelli, assombrado por uma loira e a Câmara dos vereadores, com fama de estar repleta de espíritos.

No Rio de Janeiro, são tidos como assombrados: o Paço Imperial em Petrópolis, onde vagueia o saudosista de D. Pedro II; a Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói, que foi presídio até 1964; o Museu Histórico Nacional, antigo Arsenal da Marinha que abrigou a cela onde Tiradentes foi esquartejado; a Câmara dos Vereadores onde, no século XVIII [anos 1700] havia ruínas de uma capela na qual foram realizados cultos satânicos e, ainda, o Teatro Municipal, morada do espírito do operador de cenários João Batista de Carvalho e de uma cantora não identificada; o Mosteiro de São Bento, o Museu Histórico Nacional. Na Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, o fantasma do epidemiologista folheia os livros na biblioteca e no antigo prédio do DOPs ainda ecoam os gritos daqueles que ali morreram torturados nos anos da Ditadura.

Em 1972, o vôo 401 da Eastern Airlines caiu na Flórida matando os 100 passageiros e membros da tripulação, como o capitão Bob Loft, o engenheiro de vôo Dan Repo. Para reduzir o prejuízo, a companhia recuperou partes da aeronave e as utilizou em um L-1011 Jumbo Jet. O avião que recebeu as peças tornou-se assombrado: Loft e Repo apareciam operando o painel de controle, advertindo sobre problemas técnicos, checando a segurança dos viajantes e dos circuitos elétrico e hidráulico. O capitão era visto na primeira classe dando instruções sobre o uso dos cintos de segurança e proibição de fumar. O empresa teve de remover as peças...

Em Hollywood, o fantasma de um menino estreou oficialmente a assombração cinematográfica aparecendo em uma cena de Três Homens e um Bebê [1987], caso que ganhou ampla divulgação na internet. Na Tailândia, a tsunami que assolou o país em 2004 produziu uma legião de almas penadas: mais de 125 mil pessoas morreram. Uma turista grita nos escombros de um hotel, telefones assombrados tocam e transmitem o horror dos espíritos ardendo coletivamente nas chamas do crematório. Espectros vagueiam vestidos de branco deslizando em direção ao mar.Os monges budistas cuidam de apaziguar estes desencarnados oferecendo orações e alimentos, e como muitos são estrangeiros, as pizzas fazem parte do cardápio dos fantasmas. Os muçulmanos acreditam que eles jamais encontrarão descanso porque não foram enterrados apropriadamente, voltados para Meca.

Na China e na Malásia, mulheres ainda são compradas vivas [não por muito tempo...] ou mortas para se tornarem noivas-fantasma dos igualmente fantasmas de rapazes que morreram solteiros; o casamento dos espíritos chama-se minghun e a prática tem sido reprimida pela polícia. No Iraque, Saddam Hussein faz suas aparições em restaurantes e mercados de Bagdá. Em janeiro deste ano [2008], o fantasma de Adolf Hitler foi acusado de continuar a perseguir judeus até no espaço. Uma medium da pequena cidade de Palestine, Texas ─ EUA, tem estado em contato com o fantasma da vítima: ele, também famoso, foi o astronauta da NASA, nascido em Israel, o primeiro judeu a ser lançado no espaço. Por pouco tempo... Ilan Ramon era um dos tripulantes no acidente da Space Shuttle Columbia [ônibus espacial].

O Columbia foi lançado pela primeira vez em 1981. Em 2003 realizou sua última missão depois de passar 16 dias no espaço. Em seu retorno, quando entrava na atmosfera da Terra, a nave sofreu o acidente que pôs fim à vida dos sete astronautas à bordo.Ramon tem aterrorizado cidadãos de Palestine desde que morreu e afirma que Hitler ou, o espírito de Hitler, sabotou a nave para matá-lo. Confuso, o fantasma pensa que está na Palestina do Oriente Médio e aterroriza moradores negros do lugar em busca de vingança, porque considera os Palestinos tão inimigos quanto os nazistas. Sua mãe e sua avó sobreviveram a Auschwitz. Sobre Hitler, Ramon disse à clarividente Zelda Barrons: "Ele está aqui e ele é uma entidade terrível, um demônio".

por Ligia Cabús

https://www.mortesubitainc.org/espiritos-fantasmas/textos-fantasmas/fantasmas-comtemporaneos/view
#594
Sobrenatural (Geral) / O Demónio do vestiário
Setembro 27, 2018, 03:50:26 PM
Era mais uma aula chata de matemática. Estávamos aprendendo sobre equações de 2º grau, mas eu não conseguia concentrar-me na aula.
Não conseguia parar de pensar na história que Deivid havia-me enviado no Facebook, sobre uma famosa lenda da escola. Muitos alunos acreditavam que o vestiário abandonado era assombrado, tudo isso porque há alguns anos atrás três alunas foram encontradas mortas misteriosamente no vestiário, que hoje fica fechado, e a morte delas ainda é um mistério.

Apesar de o vestiário ficar sempre fechado, era possível ouvir barulhos estranhos sempre que eu passava em frente a ele, já que ele fica perto do ginásio da escola. E sempre que eu e meus três melhores amigos Deivid, Leandro e Matheus e vários outros alunos passávamos em frente a ele, era possível ouvir barulhos misteriosos como batidas na porta, arrastar de correntes, e até mesmo uma voz demoníaca e grossa que às vezes ouvia chamar o meu nome.
Como eu sempre fui muito fã de mistérios e coisas sobrenaturais eu tive a ideia de ir ate ao vestiário abandonado e descobrir se realmente tinha algo de anormal nele ou se era tudo coisa da minha cabeça.

- O que você acha da gente ir ate o vestiário mais tarde e descobrir se tem alguma coisa lá? – Perguntei a Deivid.

- Fala sério? Você acredita nessas lendas idiotas de que o vestiário é assombrado, que tem um demónio lá dentro? Isso é historia pra botar medo em criança, você já tem 14 anos e ainda acredita nisso?

- Se você não acredita nisso então porque me mandou isso no facebook? Não me diga que você esta com medo de ir lá!

- Eu só te mandei aquilo porque todo mundo estava falando sobre a lenda, eu não acredito nessas besteiras e não tenho medo de nada. Se você esta querendo tanto ir ao vestiário abandonado, então vamos ir!

- Então tá. 19 Hora em ponto a gente se encontra em frente ao vestiário abandonado.

- Mas o vestiário fica fechado. Como a gente vai entrar lá dentro?

- Eu fui à sala da direcção hoje antes da aula pra pegar a minha prova de português e conseguir pegar a chave sem a dona ver.

- Então tá. Vou chamar o Leandro e o Matheus, vai ser legal pra botar medo neles...

- Combinado. 19 horas então.

Finalmente a aula já estava acabando, não tirava os olhos do relógio esperando o sinal bater pra eu ir embora. Quando ele finalmente bateu, eu sai correndo pra chegar rápido em casa.

Já estava anoitecendo. Era umas 18:45 quando eu cheguei na escola e fui imediatamente até o vestiário. Ninguém havia chegado ainda então eu encostei os meus ouvidos na porta do vestiário e ouço uns passos fortes e uns barulhos estranhos, como se fossem garras arranhando as paredes, e uma voz demoníaca chamava o meu nome insistentemente. O meu coração começou a ficar acelerado e eu estava tremendo, eu sentia que o medo estava se espalhando por mim. Então uma mão tocou o meu ombro. Eu levei um susto, ao me virar eu vi que era o Matheus que havia-me assustado.

- Será que o Deivid e o Leandro vão vir? Eles ainda não chegaram - Eu disse preocupado e muito assustado.

- Eles devem vir, ainda não é 19:00h. Daqui a pouco eles chegam. – responde Matheus.
Pouco tempo se passa e Deivid e Leandro chegam rindo da minha cara de medo.

- Não acredito que eu vim aqui por que você acredita nessas lendas idiotas. É obvio que é tudo mentira! – Leandro diz ironicamente

Ainda com muito medo eu pego a chave do meu bolso. Tinha um monte de chaves então eu vou tentando um por uma, tremendo de medo do que poderia estar lá dentro. Depois de um monte de tentativas finalmente eu consigo abrir a porta.
Então entramos todos juntos no vestiário, ele estava muito sujo, cheio de poeira, tinha ate baratas andando lá dentro, afinal fazia muito tempo que ninguém entrava lá. Não havia absolutamente nada de anormal nele, nesse momento eu fiquei aliviado e desapontado ao mesmo tempo.
Quando a gente se preparava para ir embora a porta se fecha sozinha, Deivid vai ate a porta para tentar abri-la mas não adiantou, estávamos trancados dentro do vestiário. Nesse momento começamos a ouvir um passo vindo do final do corredor junto com um arrastar de correntes que fazia um barulho Horrível e macabro. Eu fiquei desesperado, com medo do que podia aparecer.

Deivid, Leandro e Matheus ficam espantados e nem se quiser conseguem dizer algo de tanto medo, no final do corredor ele aparece. Era a coisa mais horrível e tenebrosa que eu já vi na minha vida. Era tão horrível que não tenho palavras para descrevê-lo. Ele era todo escuro, seus olhos eram vermelhos como fogo, e ele tinha dentes enormes e afiados como de um tigre e uma calda preta além de garras enormes como de um urso, e ele andava arrastando três correntes.
Enquanto ele andava em nossa direcção, soltava uma risada maligna e sua voz demoníaca dizia coisas que não faziam sentido. Nesse momento a gente tentava abrir a porta desesperadamente mas não conseguíamos. Eu paralisei e comecei a chorar enquanto meu coração estava a mil, eu sentei naquele chão imundo e sem conseguir fazer nada eu o via se aproximando. Deivid, Leandro e Matheus gritavam sem parar pedindo socorro enquanto isso minha vista ficava fraca e eu não conseguia ver quase nada, comecei a passar mal e fui paralisando aos poucos e então eu desmaiei.

Quando eu acordei já era quase meia-noite minha cabeça estava doendo e quando me levantei eu vi o corpo dos meus amigos todos mutilados. Os pés e as mãos estavam arrancados e os órgãos todos pra fora, um banho de sangue. A cabeça deles havia sido arrancada e fincada no teto com uma estaca de madeira, a escola estava cheia de policiais e peritos que fotografavam toda a cena sem entender o que poderia ter feito aquilo.
No espelho estava escrito com sangue a seguinte frase:


"Vocês podem não acreditar que eu existo, mas eu acredito em vocês."


Um policial me leva pra fora do vestiário enquanto eu fico paralisado sem entender o que havia acontecido, quando eu saio pra fora estava cheio de repórteres, policiais e curiosos querendo saber o que havia acontecido. Entre eles minha mãe e as mães dos meus amigos.
Muito tempo se passou e ate hoje eu não consigo entender o que aconteceu. Ninguém acredita no que eu digo e eu não sei por que aquela coisa não me matou. Eu saí da escola e mudei de cidade para tentar esquecer o que aconteceu, a escola ainda está aberta, e o vestiário permanece fechado até hoje. Muita gente diz que quando passa em frente ao vestiário ainda é possível ouvir uma risada maléfica e barulhos estranhos.
#595
Sobrenatural (Geral) / Lenda - A águia e o falcão
Setembro 27, 2018, 03:49:32 PM
Conta uma lenda da tribo índia sioux, que certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:

- Amamo-nos tanto que vamos casar. Mas amamo-nos de tal forma que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até à morte. Diz-nos se existe algo que possamos fazer?

O velho índio, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados, disse:

- Sim! Existem coisas que poderão fazer, mas acautelo que são tarefas bastante difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo com vida, até ao terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, e trazê-la viva até mim!

Os jovens entreolharam-se e com um apaixonante abraço selaram o seu amor e partiram para cumprir a missão.

No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois apaixonados esperavam com as aves.

O velho tirou-as dos sacos e constatou que na realidade eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.

- E agora, o que faremos? Perguntaram os dois jovens.

- Agora, peguem as aves e amarrem uma à outra pelas patas com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.

Eles assim fizeram. Depois de as amarrarem nas patas soltaram as duas aves.

A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade de não conseguirem voar, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se contundirem.

Então o velho vendo os rostos tristes e surpreendidos dos dois jovens, disse:

- Jamais esqueçam o que estão a ver. Este é o meu conselho... Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou mais tarde, começarão a provocar feridas um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados. Libertem-se para que possam ambos voar com as vossas próprias asas. Esta lição é uma verdade no casamento, nas relações familiares, de amizade e profissionais.

Respeitem o direito das pessoas voarem rumo ao sonho delas. E lembrem-se sempre que só livres as pessoas são capazes de amar.
#596
Sobrenatural (Geral) / Lenda da Cova Encantada - Sintra
Setembro 27, 2018, 03:48:50 PM
Se existe local de uma beleza surreal, repleto de misticismo, de semblante enigmático é sem qualquer hesitação, Sintra. E julgo mesmo que o mais impressionante e majestoso monumento é a própria serra, em cujos recantos tentadoramente bucólicos se aninham as casas de Verão de alguns privilegiados da capital.

A magnífica vila de Sintra é toda ela mágica e cheia de esplendor – um reino romântico onde palácios majestosos, um castelo de contos de fadas, propriedades régias e mansões fascinantes emergem no meio de montes e florestas luxuriantes.

Caracterizada pelo seu encanto e serenidade singulares, a vila de Sintra oferece cenários de uma beleza surpreendente, com a sua vasta serra rochosa, densa vegetação e praias imaculadas.

Sintra é por si só um local de encantamento, de história, e de tão insondável, uma invulgar zona de fantasias e lendas.

Sempre que percorro os trilhos que serpenteiam pela serra, a minha imaginação, solta asas e vagueia nos céus azuis da fantasia.

Descia a estrada de Monserrate. Existem momentos e locais onde o tempo é intemporal, este é um deles. Os muros são cobertos de verde desde que mundo é mundo. O silêncio reina. A água corre ao nosso lado, pelos regatos, nas fontes, nas pequenas bacias e lagos que bebem o legado das encostas. Poderíamos ser personagens de um qualquer livro, numa qualquer época, que as palavras fluiriam naquele mesmo leito natural, de uma pureza transparente e imortal.

Continuei a destrepar a estrada afastando-me da vila. Após caminhar alguns quilómetros, deparei com uma porta improvisada com tabuas de madeira completamente escancarada. Com alguma dificuldade apercebi-me tratar-se duma pequena taberna isolada na planície árida, a várias léguas dos povoados mais próximos. Sentia-se que era o meio caminho de estranhos viandantes de proveniência obscura, tão obscura quanto o seu rumo, que os levava a passar ali e a parar para uma pinta de cerveja ou uma malga de vinho a regar um naco de pão com presunto.

Traziam sempre nos olhos o brilho fantasmagórico de quem andasse pela beira dos abismos mais negros, e contavam histórias incongruentes de miragens e assombrações que confundiam os caminhos na vastidão da planície, que tinha fama de lugar sinistro. Alguns demoravam-se um dia ou dois, recobrando forças num dos pequenos quartos do primeiro andar, toscos mas limpos. Porém, as noites não eram tranquilas. À hora rubra do sol-pôr levantava-se uma inesperada ventania que assobiava à volta da casa isolada, fazendo bater as telhas e estalar as portadas grossas. De apaziguador, havia apenas a mulher do taberneiro. Era um mistério aquela criatura graciosa e plácida que ajeitava o avental com os modos delicados com que tocaria o mais rico dos tecidos, e não havia memória de quando, como ou por que razão fora ela ali parar, casada com um homem tão grosseiro e brutal.

As horas cavalgaram por montes e vales sempre a trote. Traguei a noite ao mesmo ritmo que ia deitando abaixo algumas cervejas. Há uma brisa fria que obriga aos casacos. Depois de estender o olhar uma última vez sobre o balcão, os olhos do taberneiro dizem-me que é hora de voltar a casa.

Despedi-me da cerveja, e disse adeus a Sintra.

Já no apartamento desarrumado onde cheguei sem dar por mim, ainda havia uma réstia de calor. Nas colunas da sala ecoavam as notas rápidas e medievais da banda sonora do filme "Excalibur" de Trevor Jones. Havia um copo vazio e um cinzeiro cheio.

Passou-se tanto tempo que pareço não saber o que aconteceu e o que apenas foi imaginação na minha cabeça: às vezes parece que não houve passado nem ficção, que a distinção nem sentido faz.




●●●


No tempo em que os Mouros dominavam Sintra, os cristãos faziam frequentes incursões contra eles, chegando por vezes muito próximo do castelo.

Um dia chegou um cavaleiro verdadeiramente extraordinário. Tinha no olhar o fogo da inquietude interior, à qual nenhuma assombração poderia sobrepor-se assim como qualquer aparição padeceria de invisibilidade, pois aqueles olhos estavam obstinadamente voltados para dentro. Também a grosseria do estalajadeiro e a suavidade da sua tão bela mulher lhe passaram despercebidos.

Num desses recontros travou-se junto do castelo uma renhida batalha. Mas os cristãos foram vencidos porque o seu chefe - o nobre cavaleiro - havia tombado ferido e logo fora aprisionado pelos infiéis.

Conduzido ao castelo, encerraram o nobre cavaleiro ferido num húmido calabouço com cadeias nos pés e nas mãos.

O intuito era deixá-lo para ali abandonado, sem alimento nem tratamento até que a morte o levasse.

Porém, ao atravessar o pátio para as masmorras, foi visto pela filha do alcaide, que estacou petrificada, tal a impressão que o jovem cavaleiro lhe causara. A todo o custo a jovem donzela tentou saber onde o cavaleiro estava encarcerado. E pela calada da noite, com o auxílio de uma das suas aias, foi visitar o prisioneiro.

O silêncio e a escuridão reinavam na masmorra acanhada onde o cavaleiro português estava trancado. Cautelosamente, a jovem moura abriu o portão de grades e entrou. Deu apenas dois passos. A escuridão era intensa. Ouvia a respiração agitada do prisioneiro. Com a conivência da aia, acendeu um pavio, e a fraca luz iluminou defeituosamente o triste cubículo. Mas o cavaleiro português distinguiu perfeitamente o lindo rosto da jovem moura. Perplexo pela visita, o cavaleiro inquiriu:

- Que quereis, donzela?

Ela respondeu, com aparente serenidade:

- Curar as tuas feridas e trazer-te de comer.

- Quem vos mandou?   

- A minha consciência.

- E se vos virem?

- Espero que não.

- Quem sois?

- Zaida, a filha do alcaide.

Docilmente, o cavaleiro cristão deixou-se tratar pela bondosa e linda sarracena. Quando terminou, ela disse-lhe como despedida:

- Até amanhã meu nobre cavaleiro.

Dia após dia, Zaida não faltava ao prometido encontro. Com grande espanto dos mouros, as feridas do cavaleiro começaram a sarar.

Igualmente várias tentativas eram feitas no intuito de ser conseguido um resgate pelo importante prisioneiro. Por esse motivo, os mouros começaram a dar-lhe de comer.

Numa noite após o cavaleiro estar convalescido, Zaida entrou na masmorra.

Com a voz trémula e emocionada disse-lhe sem tirar os olhos do chão de terra barrenta:

- Venho dizer-vos adeus.

Ele tomou-lhe uma das mãos com arrebatamento:

- Zaida! Porque dizeis isso?

- A vossa família e o vosso rei ofereceram um grande resgate. Ireis sair amanhã, mal o sol rompa. E sei que não mais vos verei!

Ele atraiu-a a si.

- Zaida! Vinde comigo!

Ela esquivou-se.

- Não posso. Seria uma traição que a minha consciência não aprovaria.

- Mas eu amo-vos, Zaida! Amo-vos mais do que à minha vida!

- Também eu vos amo, nobre cavaleiro mas tudo nos separa.

- Zaida! Vou ficar!

Ela meneou a cabeça.

- Não sejais um homem tão louco. Não podereis ficar. Os meus querem o resgate e os vossos anseiam por vos reaver.

- Voltarei!

- Sereis provavelmente de novo ferido, ou talvez morto!

- E se vencer?

- Talvez seja eu quem deixe de existir!

O cavaleiro cerrou os punhos em completo desespero.

- Juro-vos linda donzela que sem vós não poderei viver!

- Nem eu!

- Então... Porque não vindes comigo?

- Poderei dar a vida por vós, mas não a honra. Também de vós não quero mais. Sois nobre e valente! Não peço que me esqueceis! Desejo mesmo que nunca mais a minha imagem e a minha voz saiam dos vossos olhos e ouvidos. Contudo... Sou eu que vos digo: Ide... E não regresseis!

O cavaleiro cingiu a linda moura com enlevo. Beijou-a nos cabelos, na testa, nos olhos. Ela voltou a esquivar-se. Chorava em silêncio. E murmurou, afastando-se:

- Adeus, meu único amor!

E, em passo célere desapareceu na desalumiada da noite. Apanhou rapidamente um ramo de alecrim, que pôs num pote sobre o parapeito da janela, para que o vento ao passar entre as frestas de madeira tosca trouxesse consigo a presença de um aroma acolhedor; colocou mais um cobertor na cama e deixou o seu pequeno livro, o seu tesouro, junto do jarro de água fresca. Mas não bastava. Não bastava. A abalada do cavaleiro assim que o sol espertasse, fê-la sentir desolada e perdida, o que lhe provocou, grossas lágrimas, quentes. Quase sem dar por isso, despiu-se e soltou os cabelos. Foi até à cama, abriu-a, e ali deu largas ao seu estranho desgosto, feito de espanto e desejo. Procurou-se. Descobriu-se, percebeu como era linda e triste, como tinha a força imensa feita da fragilidade que não quebra jamais. Despojada, vazia de tudo quanto lhe era familiar, mas plena de uma coisa nova que lhe ficara tão fundo e não sabia ainda como nomear, abandonou o quarto, deixando a cama meia desfeita cheia das suas lágrimas, dos seus odores, dos seus cabelos. Ninguém mais a viu nessa noite.


●●●


Novamente no meio dos seus amigos, familiares e companheiros, o cavaleiro português foi recebido com grandes demonstrações de alegria. A sua libertação foi celebrada com grandes festas. Mas, apesar dessa exuberância de carinhos, o cavaleiro sentia uma tristeza infinita. Voltou às armas. Dir-se-ia ávido de novas conquistas. E as suas expedições eram sempre contra os Mouros. Queria aturdir-se. Queria esquecer Zaida. Mas a sua imagem e a sua voz - tal como ela havia desejado - continuavam na sua retina e nos seus ouvidos, mesmo no mais aceso das batalhas.

Desesperado, depois de contínuas noites de insónia, fazendo do seu segredo uma força secreta, resolveu atacar de novo os mouros de Sintra, desafiando-os para novo encontro. O seu intento era assaltar o castelo - ou morrer! Reuniu maior número de combatentes e entusiasmou-os a tentarem fazer essa oferta ao seu rei e senhor. Todos os seus companheiros se mostraram dispostos a segui-lo e rapidamente se ultimaram os preparativos.

De surpresa, os cristãos subiram a serra de Sintra. Era noite. Uma noite tórrida de Verão.

Tentaram assaltar o castelo. Mas os sarracenos, verificando o reduzido número de combatentes cristãos, saíram ao seu encontro, dando-se novo combate corpo a corpo. O ardor posto na luta por parte dos cristãos era tanto que lograram entrar no castelo, fazendo-o cair em seu poder.

Mas logo em seguida os soldados portugueses foram acometidos de enorme e dolorosa surpresa. O seu chefe (o nobre e valente cavaleiro) procurava a formosa moura filha do alcaide e ambos haviam caído nos braços um do outro. Entregues à embriaguez desse momento de encontro, o cavaleiro e a jovem pareciam esquecidos de tudo o mais.

Os lábios colaram-se num beijo infinito. Um misto de dor e prazer percorreu-lhes o corpo.

Então os mouros começaram a reagir e os cristãos, privados do seu chefe, em breve se sentiram rodeados de perigos. Os mouros haviam conseguido reforços. Da atalaia divisava-se uma fila enorme de tropas sarracenas que vinham juntar-se às do castelo. Os cristãos ficaram cercados. Só então o cavaleiro enamorado se deu conta da gravidade da situação. Soaram trombetas. Levantou-se a ponte levadiça. Organizou-se o combate. Havia quase dois dias que ali estavam os cristãos esperando as ordens de D. Afonso Henriques, a quem haviam mandado um mensageiro. Mas a mensagem enviada ao rei cristão já não correspondia à verdade. A causa estava praticamente perdida. O chefe cristão separou-se da jovem moura, vestiu de novo a cota de malha, e travou-se o combate, heróico de parte a parte. Por fim, depois de uma encarniçada luta na qual pereceram muitos chefes cristãos, o cavaleiro chefe também caiu ferido.

Ao vê-lo caído por terra e coberto de sangue, Zaida ficou como louca. Tratou de arrastar do pátio o seu bem-amado e de escondê-lo num dos corredores. Aí, com esforço inaudito, e depois de verificar que não a estavam espiando, abriu uma lousa. Uma entrada subterrânea ficou a descoberto. Com mil dificuldades, entrou pela abertura, levando consigo o ferido, que havia desmaiado. Fechou a lousa atrás de si. Depois, quase sem luz e continuando a arrastar a sua preciosa carga, foi percorrendo galerias subterrâneas até chegar a uma sala preparada numa cova, que recebia luz indirectamente.

Nessa sala havia uma saída que ficava fora do castelo e já quase a meio da serra. Colocando o ferido num divã coberto de tecido precioso, Zaida pegou numa bilha e procurou a saída. Perto havia uma nascente. A moura sabia da sua existência. Encheu o cântaro de água e voltou a tratar do ferido, tal como fizera meses antes. O cavaleiro abriu os olhos. Recobrou o alento e ficou estupefacto quando soube onde estava. Quis saber dos seus companheiros. Ela beijou-o ternamente, dizendo-lhe:

- Que importa o acontece aos outros? Estamos aqui os dois. Não vos basta?

Ele meneou a cabeça, demonstrando o seu sofrimento.

- Não, não me basta! Fui eu quem os atraí a este combate para o que não estávamos ainda preparados. Só pensei em mim. Não podia a continuar a viver sem vos! Mas vejo agora que não devo viver à custa das suas vidas!

Com fala dolorosa, ela perguntou:

- Mas que pensais fazer?

- Juntar-me aos meus companheiros!

- Foram desbaratados, não penseis mais neles! Pensai antes em vos, que não tenho a certeza de poder salvar!

Ele fechou os olhos. Sofria. Moral e fisicamente. No dia seguinte, mais fraco ainda, pediu:

- Dá-me de beber...Tenho secura! Arranha-me a garganta.

Ela observou:

- Amor meu, eu tenho de ir buscar mais água. Esta acabou-se. Mas volto já!

Ele segurou-lhe numa das mãos:

- Não...Deixa-te ficar... aqui... Ao pé de mim...

Ela beijou-lhe a testa escaldante.

- Não demorarei. Prometo que não demorarei...

Saiu. A algazarra havia terminado. Dir-se-ia que a batalha chegara ao fim. Zaida encheu célere a moringa e encetou a caminhada para a sala subterrânea. Porém, quando estava já próximo da entrada, uma seta vinda do lado do castelo acertou-lhe em cheio. Caiu de joelhos agarrada ao cântaro da água que verteu metade. Teve forças, porém, para se arrastar até ao local onde o mato tapava a entrada. Rastejando e perdendo sangue, Zaida só caiu junto do seu cavaleiro. A bilha caiu também e a água perdeu-se. Zaida havia desaparecido do mundo dos vivos.

Desesperado, o nobre soergueu-se do leito e veio ajoelhar-se junto da sua bem-amada. Suplicou:

- Ó Deus Misericordioso! Perdoai-nos os pecados que cometemos neste mundo... E juntai-nos... De novo... No Céu!

Com o esforço feito, a ferida do cavaleiro voltou a abrir e o sangue cristão do jovem misturou-se com o sangue mouro da linda Zaida. E esse sangue só parou de correr quando ambos pareciam já duas estátuas de mármore.

No castelo, os mouros haviam mais uma vez repelido o ataque dos cristãos. Procuravam Zaida e o ferido por toda a parte. Foi então que um soldado descobriu o rasto de sangue deixado pela filha do alcaide. Seguindo-o, foi encontrar os corpos sem vida do cavaleiro cristão e da jovem moura, lado a lado, numa larga cova distante do castelo.

Desde então, diz a lenda que, em certas noites de luar, quem tenha a ousadia de vaguear pela Serra de Sintra verá sair de uma larga cova, junto a um penedo, uma formosíssima donzela vestida de branco, com uma bilha na mão. Com passos apressados, a jovem de branco dirige-se para uma nascente de águas finas. Depois, regressa à mesma cova donde saíra, com o pequeno cântaro já cheio. A meio do caminho solta um doloroso gemido. Depois, desaparece, qual branco fantasma...


●●●


Era uma noite semelhante às outras, talvez mais perfumada de luz e sentia-se um sabor a esperança no ar.

A serra da Arrábida afastava-se já da noite, projectando o nascer do sol e o brilho nas alvas portadas do meu quarto.

O dia ia-se revelando mais, já com a Lua e Vénus ausentes.

As janelas entreabertas da nossa memória, tal como as do nosso quarto, deixavam entrar uma intimidade que pobremente existiu. Ou por vezes aconteceu como acto isolado num passado que deixa de o ser, de cada vez que a brisa abre mais um pouco as janelas e faz espreguiçar as cortinas e o que está dentro da casa habitada da nossa memória é o mesmo que está do lado de fora à procura de voltar ao interior. Será que algum dia saíste de mim? Será que algum dia habitas-te esta casa?

A brisa espalha-se pela casa, faz-se notar, estende-se como tu cá dentro. Tem cheiro, textura, sabor.

Penso nas voltas da minha vida, nas promessas de eternidade que nunca se cumprem. Penso nas relações que se juram sólidas e ao rasgar das folhas do calendário acabam.

Penso na vida que se vai tão rápida como um suspiro. Penso nos dias que me levanto com a alma reduzida e me deito com a sensação de a ter perdido. Deixo flutuar o pensamento no bote das minhas emoções. Houve um tempo em que pensei que a minha vida ia ser especial, distinta. Ideais, valores superiores, razões para lutar. Hoje vejo-me preso na monotonia, na cor cinza, na existência com uma única razão a de lutar por mim mesmo sem grande firmeza. No fundo vivo longe do mundo submergido na deliciosa melancolia.

Abro os olhos, ergo-me... O fumo do teu cigarro já fugiu, as janelas dentro de mim batem com força! As portadas esmurram a parede. Olho para ti...

Somos os mesmos, é verdade. Mas, o vento é mais calmo, a chuva hoje é sol e o toque não é o teu... é o de uma flor.

Estou cansado de viver sozinho com alguém! Tenho saudades de te dizer o que não disse!

Mas, não se pede a ninguém que não parta e não se pede a ninguém que volte. Quanto muito, espera-se e ainda assim é alma que se consome. Não tenho existência suficiente para ocupar este espaço todo onde tu faltas. Dirijo-me à janela para olhar o céu. Está frio, mas o sol brilha intensamente.

Percebo que é exactamente assim que me sinto. Apesar de viver numa sociedade fria e desumana, a esperança num futuro melhor aquece-me o coração. Sou mesmo um sonhador!

Observo a silhueta de uma jovem de vestido branco, que aldeaga com os olhos colados ao asfalto. Medito na lenda que ouvira na taberna.

Tu fazes-me imaginar a jovem donzela da cova encantada, do amor místico que só a morte consegue unir.

E, nos dias em que estou assim, prenhe de aflições, torneio a minha mão em volta do calor do teu corpo apartado enquanto tu te diriges com passos apressados, para a nascente de águas finas, onde viste correr as lágrimas que banharam o nosso amor. Depois, regressas à mesma cova donde saíste, com a sacrílega perfeição, mas sabendo que foi o meu corpo aquele que aceitaste.

A meio do caminho soltas um doloroso gemido. Depois, desapareces, qual branco fantasma...

#597
Sobrenatural (Geral) / O Degolado
Setembro 27, 2018, 03:47:49 PM


Um dia um jovem entrou no território do fazendeiro que logo soube da situação pela boca de um de seus trabalhadores e foi a cavalo à caça do rapaz.

Os cães logo encontraram o jovem, que descansava embaixo de uma árvore frondosa próximo a uma cerca de arame farpado que separava a estrada de barro que levava até a cidade. O homem chamou a atenção do rapaz e disse que ele iria pagar o preço por ter invadido sua propriedade, soltando os cães sobre o jovem que gritava enquanto tentava escapar dos ferozes animais. O homem observava alegre ao jovem sendo dilacerado pelos cães.

Nos últimos momentos ele chamou os cães e foi escarnecer o moço que se encontrava caído e empoçado em seu próprio sangue. Ao perder as forças o morimbundo rogou uma maldição sobre o homem, dizendo que ele pagaria pelo resto da eternidade o que havia feito com ele e com os outros viajantes. Logo após ele morreu e foi deixado lá para apodrecer pelo maldoso homem que saiu dali perseguido por um medo incessante.

Meses depois, o homem foi caçar outro viajante, mas desta vez ele não voltou. Os seus empregados encontraram seu corpo pendurado pelo pescoço na mesma árvore em que havia matado o peregrino da última vez. Nenhum de seus cães foram avistados nunca mais. E ninguém teve coragem de retirá-lo dali, pois seus olhos estavam arregalados e cheios de sangue, o que os fazia ficar vermelhos. Deixaram o corpo para a polícia retirar e averiguar.

Apenas no outro dia a polícia chegou ao local. Mas o corpo do homem agora estava no chão e sem a cabeça. Ninguém jamais soube explicar quem havia feito aquilo, pois ninguém teria coragem de ir até aquelas brenhas na escuridão da noite.

Dias depois a cabeça do homem foi encontrada boiando em uma enorme lagoa próxima ao terreno.

Até hoje muitas pessoas têm medo de passar naquele trecho da estrada, que agora é de asfalto, mas ainda passa ao lado da mesma árvore citada na história. Vários pessoas relatam ter visto um homem pendurado naquela antiga árvore, ou avistado um indivíduo completamente ensanguentado sentado à beira da estrada, e até mesmo assustadores latidos são ouvidos à distancia nas noites mais frias.
#598
Sobrenatural (Geral) / O Fantasma da Casa 666
Setembro 27, 2018, 03:47:15 PM
Só agora, depois de 30 anos, minha mãe revelou-me o mistério sobre a morte da senhora Margot. Por muito tempo, durante a minha infância, essa curiosidade me perseguiu. Dizem que os fantasmas da infância, diante dos problemas da vida adulta, costumam ser esquecidos, guardados em algum canto da mente. Falam também que a criança que fomos, a exemplo dos fantasmas, nunca morre, simplesmente fica escondida dentro de nós. Talvez por esse motivo, hoje, dia em que completo 42 anos, foi que, vasculhando as teias de aranha dentro da minha cabeça, encontrei a criança curiosa que um dia fui. Corri até a casa da minha mãe e repeti uma pergunta feita a três décadas: como morreu a proprietária da casa 666?

Os moradores da rua temiam passar em frente aquele sobrado, principalmente à noite. Especulava-se que era comum ouvir-se gritos pavorosos ecoarem lá de dentro, cortando o silêncio e causando arrepios aos que, por ventura, passassem por aquela calçada. A velha casa abandonada tinha um aspecto realmente aterrador. Sua fachada, totalmente desgastada pelo tempo, mantinha algumas das inúmeras janelas. A maioria, no entanto, comida pelos cupins, não passava de espaços vazios por onde, segundo vários relatos, podia-se ver luzes de velas e sombras a passear lentamente pelos cômodos. Os mais antigos da vizinhança diziam ser a alma da senhora Margot que assombrava aquela casa. Sendo eu muito curioso, certa vez perguntei a minha mãe como tinha morrido a senhora Margot. Em vez de matar a minha curiosidade, deixou-me ainda mais confuso a frase que recebi como resposta:

— É uma história muito triste para se contar a uma criança.

Tentei insistir e fui ameaçado com uma boa surra, caso não esquecesse o assunto. A curiosidade, a partir daquele dia, transformou-se em obsessão. Estava decidido a descobrir, a qualquer custo, as circunstâncias que levaram à morte a senhora que habitara aquele sobrado assustador. Aos meus doze anos de idade, não me considerava mais uma criança. Dizia para mim mesmo, como se querendo convencer-me: eu sou um homem e, como tal, vou desvendar todo esse mistério. Saí a perguntar a todos que encontrava e as respostas não eram muito diferentes daquela dada pela minha mãe. Faziam suspense ou simplesmente mudavam de assunto. Acabei recebendo a surra prometida quando minha mãe ficou sabendo da inquisição que andava a fazer aos quatro cantos.

— Esqueça este assunto de uma vez por todas!

Fiquei de castigo por cinco dias, mesmo depois de ser obrigado a prometer que não mais tocaria no assunto. Após a curta reclusão, que me pareceu quase eterna, a curiosidade sobre a morte de dona Margot continuava a me atormentar. Fui recebido com vaias pelos meus amigos da rua: Vado, Cabeção, Dumbo, Leitão e Caju. Era costume da turma reunir-se em frente à casa do amigo que estava de castigo e dar-lhe uma sonora vaia no dia que este, absolvido da pena, colocasse a cara na rua. Sentir na pele essa humilhação não foi nada agradável, porém não podia reclamar. Principalmente eu, que costumava puxar o coro e fazer grande algazarra quando um colega castigado era colocado fora da gaiola. Mesmo assim, para não ficar inferiorizado diante dos amigos, tentei justificar-me.

— Vocês ficam de castigo por bobagens: você, Cabeção, ficou dez dias sem assistir televisão porque quebrou a bonequinha da irmã. Também! Foi brincar de boneca, né? Você, Leitão, foi comer o pudim ainda quente que a vovó preparou e passou 15 dias sem direito à sobremesa. Vocês, por acaso, sabem por que fui castigado? Coisa séria, problema de homem e não coisinhas de crianças como vocês.

Depois dessa minha explanação, tudo que consegui foi uma segunda e ainda mais sonora bateria de vaias. Fiquei realmente furioso e, num momento infeliz, lancei um impensado desafio:

— Qual de vocês tem coragem de entrar comigo, à noite, no antigo sobrado da senhora Margot?

Uma dezena de olhos assustados arregalaram-se à minha frente. Ficaram por alguns segundos em silêncio até que, com voz trêmula, Caju devolveu-me, em lugar de resposta, outra interrogação:

— Você tem essa coragem?

Diante dessa simples pergunta foi que percebi a situação complicada em que me encontrava. Como poderia responder negativamente? Não foi minha a idéia de transpor os portões da casa 666? Estava, realmente, sem saída e respondi:

— Mas é claro que tenho coragem. E vai ser ainda hoje.

Não sei onde arrumei tanta convicção. Entrar naquela casa sozinho, à noite? Nem os adultos tinham coragem, mesmo durante o dia. Olha só o tamanho do problema que arranjei. Na esperança de arrumar companhia para minha louca aventura, voltei a desafiar:

— Vocês são todos covardes. Afinal, quem é homem para ir comigo?

O silêncio da falta de resposta doía em meus ouvidos, causando-me grande angústia. Resolvi pegar pesado e mexer com o brio da turma.

— Vocês são um bando de menininhas medrosas. Afinal, quem vai comigo?

Foi quando uma voz estranha, vinda do outro lado da rua, se fez ouvir.

— Eu tenho coragem! Eu vou!

Assustados, já estávamos nos preparando para correr quando percebemos que era apenas o Aluado, um menino muito estranho que morava na rua. Seu verdadeiro nome era Vitor, porém o apelidamos de Aluado pelo seu jeito débil. Tinha problemas mentais e era discriminado pelas outras crianças que, considerando-o muito bobo, negavam-se a brincar com ele. Morava com uma tia velha que também era meio louca. Costumavam passar os períodos de lua cheia trancados em casa. Por esse motivo chamávamos a casa deles de Toca dos Aluados. Eu, a exemplo da criançada, também não nutria simpatia por ele. Porém, ao ouvi-lo se prontificando a me acompanhar em minha aventura, agarrei-me àquelas palavras como um náufrago a uma tábua de salvação. Vi, na figura do Aluado, a minha esperança de convencer os outros a irmos, todos juntos, tentar encontrar pistas que ajudassem a matar a curiosidade em torno da morte da senhora Margot. Disparei então meus argumentos:

— Estão vendo, menininhas? Até mesmo o Aluado, que vocês tanto discriminam e chamam de bobão, tem mais coragem que vocês.

Sentindo-se humilhado, Vado, o mais velho e também mais forte da turma e, por essa razão, detentor da liderança no grupo, decretou de forma nada democrática:

— Vamos todos juntos. Quem não for, vai se ver comigo.

Uma ordem de Vado era lei; ninguém tinha coragem de enfrentá-lo. Principalmente depois do dia em que ele, sozinho, numa briga feia, enfrentou e venceu quatro meninos que moravam numa rua paralela a nossa. Assim sendo, a turma preferiu enfrentar o fantasma da casa 666 a enfrentar Vado. Esperamos, assustados, o anoitecer que se aproximava. Reunimo-nos em frente àquele sobrado e, mesmo tentando disfarçar, os semblantes deixavam transparecer o receio que tínhamos em estar ali. O único que não demonstrava qualquer tipo de preocupação era o Aluado. Na verdade, parecia estar muito feliz em participar daquela aventura ao lado da turma, já que sempre fora renegado. Era tanto o seu entusiasmo que, aproveitando um momento em que a rua estava vazia, foi o primeiro a pular o alto portão frontal da casa. Não nos restou alternativa e, um a um, saltamos para dentro dos muros daquele sobrado. O mato tomava conta de todo o espaço que, no passado, fora um imenso jardim. Repentinamente, um vento forte soprou derrubando a porta principal. Nesse momento, todos se olhavam assustados e quase retornamos correndo. Porém, Vado, como sempre, democrático, falou energicamente:

— Daqui ninguém sai.

À frente daquela trêmula fila, ia Aluado, segurando uma lanterna. Na retaguarda, vinha o Vado para garantir que ninguém fugiria e, entre os dois, eu, Cabeção, Caju, Leitão e Dumbo, totalmente apavorados. Com uma coragem impressionante, talvez pela sua insanidade, Aluado ultrapassou a porta da frente, penetrando na sala principal. Já nos dirigíamos à escada de acesso ao primeiro andar quando, vinda, não se sabe de onde, uma voz tenebrosa pronunciou, claramente, aos nossos ouvidos:

— Eu queeeero meus anéeeeeis!

Senti o meu sangue gelar naquela hora, principalmente quando olhei para trás e percebi que Vado não mais estava lá. Foi o primeiro a correr, gritando desesperadamente. A exemplo dele, todos sumiram em alta velocidade. Eu, particularmente, não sei como saltei com tamanha rapidez e agilidade o alto muro que há pouco havia me oferecido tanta dificuldade em transpô-lo. Aquela correria desenfreada só teria fim na pracinha do final da rua, onde nos encontramos e, sem fôlego, não conseguíamos sequer falar. Todos afirmavam ter ouvido, claramente, aquela voz que dizia querer seus anéis. Porém, ninguém tinha a mínima idéia de que anéis se tratava. Mal tínhamos nos refeito do susto, quando Dumbo, quase sem voz, deixou-nos preocupados ao perguntar:

— Onde está Aluado?

Nesse momento, demo-nos conta de que nenhum de nós viu Aluado pular aquele muro de volta para a rua. Teria ficado dentro da casa? A preocupação aumentava pois sabíamos que algo precisava ser feito. Tive então a idéia de irmos perguntar à tia dele. Talvez ele tivesse corrido para casa. Ninguém concordou, achando que seria muito suspeita essa atitude, já que nunca procuramos por ele antes. A maioria resolveu que o melhor era ficarmos calados e aguardar o aparecimento de Aluado. Como já estava ficando tarde, decidimos retornar para nossas casas. O remorso tomava conta de mim. Sentia-me responsável pela ida do Aluado àquela casa e, conseqüentemente, sentia-me responsável por ele. Meu remorso transformou-se em angústia quando, pela janela do meu quarto, percebi que a tia velha do Aluado ganhava a rua a gritar pelo seu sobrinho:

— Vitor, onde você está?

Subia e descia a rua desesperada a ponto de chamar a atenção de todos. Algumas pessoas, solidárias àquela senhora, reuniram-se em coro a chamar pelo Vitor e nada do Aluado aparecer. Meu sentimento de culpa aumentava a cada minuto. Como poderia, sabendo de toda a verdade, esconder daquela senhora, já em prantos, o paradeiro do seu sobrinho? Em contrapartida, como poderia contar o que sabia sem denunciar a invasão realizada por mim e meus amigos àquele antigo sobrado? Era doloroso ouvir os gritos desesperados daquela senhora, mas, definitivamente, não poderia trair o pacto de silêncio da turma e muito menos expor minha própria pele às surras de cinto da minha mãe. Porém, tinha consciência de que algo deveria ser feito. Pensando assim foi que resolvi escrever um bilhete anônimo, relatando o suposto paradeiro do Aluado.

No silêncio da noite, quando todos já haviam se recolhido, saltei a janela do quarto e, cuidando para fazer o mínimo de barulho possível, caminhei até a "Toca dos Aluados". Lá chegando, fiz passar o bilhete por baixo da porta. Cheguei a ouvir os soluços daquela senhora a sofrer dentro da casa. Voltei para o meu quarto apressado, no entanto, tive o cuidado de, antes de entrar em casa, jogar uma pequena pedra no telhado da tia do Vitor no intuito de chamar sua atenção. Até esse momento, tudo funcionava exatamente como planejei. Apaguei a lâmpada do quarto e fiquei de vigília. A ansiedade tomava conta de mim quando, de súbito, percebi que a luz interna da casa se acendera para, logo em seguida, ver a tia Aluada abrir a porta e sair em direção a casa mal assombrada. Portava em uma das mãos uma folha de papel que deduzi ser o meu bilhete. Na outra mão, levava um objeto que parecia ser uma pequena caixa. Estranhamente, ela não mais gritava pelo nome do sobrinho. Contrariamente a momentos atrás, parecia fazer questão do silêncio, como se não quisesse ser notada. Olhava desconfiada para todos os lados, atravessando a rua sorrateiramente. Parou em frente ao portão da casa 666 e, ignorando o meu olhar perplexo, tirou de um dos bolsos um molho de chaves e passou a experimentá-las na enferrujada fechadura. É claro que ela não vai conseguir, pensei comigo mesmo. Como ela poderia ter uma chave que abrisse aquele portão? A possibilidade, pelos meus cálculos, era uma em milhões. Porém, a minha perplexidade chegou ao extremo ao ver, boquiaberto, pela primeira vez em minha vida, aquele portão ser descerrado. Lentamente, a tia Aluada puxava aquela imensa estrutura que, parecendo querer denunciá-la, fazia ecoar um triste rangido metálico no silêncio da noite. Admirado com a coragem daquela mulher, vi quando adentrou àquele lugar assustador. Fiquei na expectativa de vê-la sair correndo, a exemplo do que acontecera comigo e meus amigos. Os minutos que se seguiram foram angustiantes para mim. Um silêncio ensurdecedor ofendia meus ouvidos. Esperei o que me pareceu uma eternidade para, em lugar de uma fuga alucinada, testemunhar o tranqüilo retorno daquela senhora. Tamanha foi a minha felicidade ao perceber que, conduzido pela mão, trazia seu sobrinho Aluado. Ver aqueles dois atravessarem a rua, abraçados, foi como tirar um imenso fardo das minhas costas. Porém, na minha cabeça curiosa, nem tudo estava resolvido. O que teria acontecido lá dentro? O que era aquele objeto que a tia Aluada levou para o sobrado e não mais portava quando da sua saída? Só mesmo o sono, altas horas da madrugada, veio a encerrar meus questionamentos. Adormeci remoendo planos: amanhã irei investigar. Vou descobrir tudo.

Acordei pela manhã mais cedo que de costume. Cheguei a deixar minha mãe desconfiada.

—O que você andou aprontando ou pretende aprontar?

Minha querida mãe, com toda a razão, sempre desconfiada; era capaz de perceber, em meus olhos de menino traquinas, a iminência de uma travessura. Na verdade, a vontade que eu tinha era de correr até a casa do Aluado e perguntar sobre o acontecido na noite anterior. Mas como fazer isso sem levantar suspeita? Decidi então que esperaria a oportunidade de encontrá-lo na rua. Reuni a turma e comuniquei o retorno do Aluado. Contei-lhes que vi quando ele voltou para casa em companhia da tia. Omiti, porém, tê-la flagrado entrando na casa 666, temendo passar por mentiroso. Reconhecia que era uma estória difícil de acreditar. Passei o resto do dia em frente à "Toca dos Aluados" na esperança de ver o Vitor e esclarecer minhas dúvidas. Quando anoiteceu, vi surgir, no fim da rua, uma enorme lua cheia. Sinal de que o Aluado passaria os próximos dias sem botar a cara na rua. A minha presença constante à frente daquela casa chamou a atenção da tia do Vitor que, sentindo-se incomodada, foi reclamar com a minha mãe que eu estava a observá-la. Levei nova surra de cinto e, para completar, fui colocado 15 dias de castigo, sem sair de casa. Não sei como consegui passar todo aquele tempo em companhia de tanta curiosidade. Quando, finalmente, acabou o meu período de reclusão, um novo acontecimento me pegou de surpresa: os moradores da "Toca dos Aluados" mudaram-se da rua; sumiram sem deixar pistas. Ouvi comentários de que teriam partido às escuras. Senti-me condenado, portanto, a passar o resto da vida sem saber o que havia acontecido durante o resgate do Aluado pela sua tia, na noite em que entramos na casa mal assombrada. Algumas semanas depois, o velho casarão foi demolido e, em seu lugar, construíram uma igreja evangélica. A casa em que o Aluado morava, a exemplo do velho sobrado, também foi vendida e transformada em uma escola. Causou-me estranheza o fato de a tal escola pertencer à igreja que ocupou o terreno da antiga casa 666. Com a destruição daquele velho imóvel, a minha esperança de desvendar a morte da senhora Margot também pereceu.

Com o passar do tempo, minha alma de criança perguntadora acalmou-se. Tornei-me adulto e acreditava ter exorcizado, para sempre, meu espírito infantil. Eis que justamente hoje, no meu 42º aniversário, ganho, de presente, os fantasmas da infância embrulhados na revelação do mistério sobre a morte da senhora Margot. Minha mãe contou-me que a dona Margot era uma senhora que, apesar da idade avançada e seus muitos quilos, trazia no rosto traços de uma mulher muito bonita. Muito vaidosa, adorava andar bem vestida e coberta de jóias. Parecia ter preferência por anéis, já que sempre trazia os gordos dedos repletos deles. Eram todos muito caros, feitos de ouro e cravejados com pedras preciosas. Com o falecimento do seu marido, sentiu a necessidade de arranjar companhia. Resolveu alojar, em sua casa, um menino que afirmava ser seu sobrinho. A criança aparentava uns 9 anos e, proibida por dona Margot, quase nunca saía de casa. Só era vista na rua quando, sob ordens, ia comprar alguma coisa na mercearia da esquina, voltando rapidamente para casa. Apesar de ser um menino obediente, dona Margot costumava castigá-lo ou, até mesmo, aplicar-lhe pesadas sovas. Nessas ocasiões, seus berros podiam ser ouvidos por toda a vizinhança. Trazia em seu rosto muitas marcas, que os vizinhos especulavam serem causadas pela pesada mão da viúva repleta de anéis. Toda a rua ficou horrorizada quando, numa manhã, ouvindo gritos de socorro vindos da casa 666, alguns moradores a invadiram e se depararam com uma cena horrível: dona Margot caída ao pé da escada, totalmente ensangüentada. Seus braços e pernas apresentavam fraturas expostas. E, em suas mãos, ausência total dos dedos. Todos foram decepados e levados, juntamente com seus preciosos anéis. A viúva deixava a todos perplexos pelo fato de, com tantos e tão sérios ferimentos, não demonstrar preocupação com o seu estado gravíssimo. Repetia exaustivamente uma única frase: "eu quero meus anéis". Os médicos foram chamados e dona Margot, depois de sedada, foi conduzida ao hospital, onde passou por várias cirurgias. Após poucos dias, não suportando o sofrimento, veio a falecer. Nas investigações policiais, o pequeno sobrinho figurava como principal suspeito, já que sumira por ocasião do ocorrido. Após 15 dias de busca, a polícia conseguiu encontrá-lo, esmolando pelas ruas do centro da cidade. As suspeitas tornaram-se fato quando o menino confessou ter matado a tia. Não ficaram dúvidas da sua culpa, pois o mesmo levou a polícia até o local onde escondera a arma do crime: um pequeno machado com o qual executara o brutal ataque. Em seus depoimentos, somente um fato ficou sem ser esclarecido: onde teriam ido parar os dedos e anéis da senhora Margot? Quando questionado, simplesmente respondia que os havia perdido. Considerado insano, foi conduzido para tratamento psicológico em um manicômio, de onde teria conseguido fugir para nunca mais ser encontrado.

Ouvindo o relato desses acontecimentos foi que consegui entender e concordar com as palavras ditas pela minha mãe há trinta anos: "é uma história muito triste para se contar a uma criança". Os adultos partilhavam a opinião de que um crime tão bárbaro, praticado por uma criança, deveria ficar em segredo. Tinham medo que, de certa forma, fôssemos afetados ou influenciados por ele. Foi preciso passar todo esse tempo para, finalmente, conseguir resolver um velho mistério. Porém, nesse exato momento, pego-me pensativo e convicto de que tal revelação não passa da ponta do fio de um grande novelo que, novamente instigado pelo meu espírito juvenil e curioso, sinto necessidade de desenrolar. Com as palavras da minha mãe, depois de tantos anos esquecidos, inúmeros detalhes voltam à minha mente: a frase ouvida no casarão, a chave do portão, a pequena caixa conduzida para a casa 666 pela tia do Aluado, a mudança súbita no meio da noite, a aquisição dos dois imóveis pelo mesmo comprador. Sinto que preciso passar naquela igreja e, quem sabe, fazer algumas perguntas. Acho que, aos 42 anos, não corro mais o risco de ser surrado pela minha mãe.

#599
Sobrenatural (Geral) / Onde Habitam as Sombras
Setembro 27, 2018, 03:46:33 PM
Na mais completa e profunda escuridão, o velho Jerônimo contou ao visitante que mostraria o lugar onde as sombras habitavam, em sua residência. Ainda contaminado por um descrédito imensurável, Olavo soltou o ar pelas narinas, demonstrando impaciência, e comunicou que já havia esperado a última hora inteira no mais escuro dos breus, porém o anfitrião ainda não havia revelado o local onde as ditas sombras viviam.


O visitante havia sido conduzido àquela pequena sala por Jerônimo, o cego, que residia sozinho naquela pobre vivenda há muitos anos. O mais velho avisou:

      — Olavo, você bem sabe que prezo muito sua amizade. E ratifico meu agradecimento a você por atender meu chamado.

      Subitamente, após uma pausa, o idoso declarou:

      — Meu fim está perto. Este fraco coração que bate em meu peito e minha idade avançada me derrubarão em pouco tempo.

      — Pare com isso, Jerônimo - interveio o convidado. - Você não vai morrer agora. O doutor Eliseu está lhe assistindo. Ele é um ótimo médico e lhe visita aqui em sua residência há muitos anos...

     — Não há muito o quê fazer - o velho interrompeu, bruscamente.  -  Atualmente a medicina é tão incipiente que ainda recorre às ervas medicinais. Temo que por toda essa década de setenta nada poderá ser feito. E meu fatigado corpo não suportará mais quatro anos, isto é, não conseguirei atingir a próxima década. Mesmo assim serei feliz quando morrer.

      — Não diga isso, caro amigo. Lute pela vida.

      — Nobre amigo, eu já tentei essa alternativa. No meu atual estado, é somente uma ilusão. Um perverso delírio inalcançável. Por agora, só preciso que você veja as sombras e passe a acreditar em suas existências. Elas ditarão os caminhos, a partir desta data. E se você ousar combatê-las, seus olhos serão cingidos e inominável dor tomará conta de suas órbitas.

      A conversa prosseguia na escuridão.

      — Podem até existir, afinal, ao se fazer um jogo de luz, elas surgirão. Mas não creio deste ponto em diante. Não creio que elas possuam vida própria. Não creio que elas são más. Não creio que elas se destacarão das paredes e virão ao nosso encontro. Não creio em nada disso. Para mim, são somente meras acompanhantes.

      — Ouço o timbre de sua voz, amigo. Está insuflado por um sentimento que tive há anos, quando as conheci. O medo! Mas, em parte, você tem razão. Elas nunca se destacarão das paredes - Olavo riu nervosamente. Era seu único recurso contra a certeira afirmação do outro. O velho Jerônimo continuou:

      — Vou acender a vela - o velho, mesmo cego, teve certa agilidade para encontrar a vela que jazia sobre o antigo candelabro, na mesa.

      — Peço ao amigo que me perdoe. Rogo que não guarde rancor deste velho que não enxerga.

      — Acenda! - a voz de Olavo vacilou de medo.

      Jerônimo riscou o fósforo e Olavo viu os olhos, cujas escleróticas tendiam para um matiz amarronzado, e as íris, coloridas com um triste azul opaco, do ancião. Do antigo e pálido rosto, depreendia-se que havia passado por anos e anos de sofrimento e clausura. Então, algo chamou a atenção do visitante. Um reflexo enegrecido passara - tão rápido como um piscar de olhos - da íris direita para a esquerda, do velho Jerônimo. Instantaneamente, Olavo empertigou-se na deletéria cadeira, fazendo-a arrastar-se um pouco no chão empoeirado.

      — O que foi isso nos seus olhos? - o visitante sussurrou, fazendo a chama tremeluzir com o ar expelido por sua fala.

      Enquanto Jerônimo fazia a chama do palito arder o barbante crestado da vela, emitiu um sorriso que mostrou a gengiva desprovida de dentes e logo em seguida revelou:

      — São elas. Como disse, em parte você estava com a razão. Imaginou que estavam na sala? Chegou a ponderar que elas poderiam utilizar as paredes e o chão para se locomoverem? Achou que viviam ao meu derredor? Enganou-se, estimado amigo. São parte de mim há décadas. Obumbraram-me a visão por anos e anos. E com o fim, abençoadamente próximo, desse corpo senil, é imperioso - para o bem de minha alma - que as entregue a outro, digamos... guardião. Perdão, nobre amigo, mas é assustadoramente necessário. Elas querem. E quando elas querem e não são atendidas... a dor se avizinha.

      No segundo seguinte, um feixe tão escuro quanto a noite saltou dos olhos do velho Jerônimo em direção as íris castanhas de Olavo. Este nada fez, apenas permaneceu entorpecido com o bailar ondeado e nefando que lhe toldava a visão. A cabeça do visitante continuou ereta, mas a pele certamente envelheceu alguns bons anos após a transposição das forças sobrenaturais. Os olhos do novo mantenedor do mal ficaram iguais aos de Jerônimo. Com o rosto encovado, Olavo não conseguiu ver, pois já estava cego, mas o cadáver de Jerônimo, num movimento espasmódico, caíra da cadeira e começara a enroscar-se em si mesmo, como se estivesse sendo revirado para dentro de si, qual um pedaço de plástico se comporta ao ser atirado ao fogo. Os ossos quebraram paulatinamente, o cadáver encolheu rapidamente até que sumiu. A tudo o novo guardião ouviu com atenção e horror.

      Para Olavo só restaria esperar o momento em que as sombras desejariam deixá-lo e ingressar em novo corpo. Com sorte e com o passar dos anos, ele poderia convidar o doutor Eliseu e apresentar aquele antigo mal que naquele maquiavélico momento maculava seus olhos e administrava suas ações.


#600
Começou como um medo infantil qualquer. Ele tinha três anos e não dormia sem que antes os pais olhassem debaixo da cama. Posteriormente, passou a não querer mais adormecer com as luzes apagadas, o que deixava o pai, um economista, muito enfurecido ao ver as contas de luz no fim do mês. A mãe intervinha, a favor do filho: "deixe estar, é só uma fase".

Mas os anos se passaram.

O menino já tinha sete anos, porém sua fobia do escuro e de algo incompreensível que alegava existir debaixo da cama continuava.

Os pais levaram o menino a muitos psicólogos - nenhum conseguiu descobrir de que ele sofria - assim, as luzes continuavam acesas à noite, e o fundo da cama continuava a ser inspecionado minuciosamente.

Mudaram a cama de lugar, mudaram o menino de quarto, mas o medo continuava, cada vez mais forte.

Um dia, o pai teve uma ideia - tratamento de choque - ele dissera.

Às nove horas, o pai saiu e desligou a energia da casa, simulando um blackout.

A mãe fingiu não encontrar velas ou fósforos, e foi com dor no coração que conduziu o choroso filho ao quarto. Colocou a criança na cama - ele estava apavorado e pedia desesperadamente à mãe que ficasse por ali. A mãe endureceu o coração e disse que não, saindo, com pena e fechando a porta.

O menino ficou ali, sozinho, com seu maior medo. Ele estava paralisado, gelado de pavor. Não tinha força sequer para se levantar e sair correndo.

Ele continuou parado, alerta, olhos arregalados, adrenalina fluindo.

O relógio da sala deu dez badaladas. O menino continuava atento - ouvia os pais conversando na sala. O relógio da sala deu onze badaladas. Agora ouvia apenas os sons noturnos: uma sinfonia de grilos e o silêncio mórbido que a noite trazia.

O relógio da sala deu doze badaladas. Afinal, o menino foi se acostumando ao silêncio e à escuridão e foi entregando-se ao cansaço. Suas pálpebras iam se fechando quando ele ouviu um barulho - vindo de debaixo da cama. Despertou sobressaltado. Uma mão de unhas longas e pele áspera agarrou-lhe o tornozelo, tentou gritar, sem sucesso. A voz não lhe saía. Não tinha forças para se livrar daquela criatura ressequida e horrenda que tentava arrastá-lo para debaixo da cama. Tentou ainda agarrar-se ao tapete - em vão. Olhou para trás e divisou o rosto grotesco de olhos brilhantes e presas pontiagudas que sorria para ele. Foi arrastado e mergulhou na escuridão, chorando

* * * * *

Ele não entendia o que havia acontecido - acordou no escuro, em baixo da cama. Tentou sair e percebeu que aquele não era o seu quarto - viu que neste as paredes eram cor de rosa e havia ursinhos de pelúcia.

Colocou a mão para fora, tateando na escuridão e encontrou um tornozelo Fino. Olhou em cima da cama e viu uma menina de cabelos negros, que o fitava com os olhos enormes cheios de terror.

Só então reparou nas suas mãos: outrora infantis e claras, elas agora pareciam ressequidas e cobertas de veias salientes, com enormes unhas negras.

Tentou dizer à assustada garotinha que precisava de ajuda, mas descobriu que não tinha mais voz. O máximo que conseguia fazer era sorrir, grunhir e assoviar com sua língua bifurcada e seus dentes pontiagudos. Nesse momento, a garotinha começou a gritar...

Sem escolha, para fazê-la calar-se, ele a puxou, arrastando-a para a escuridão.

Horrorizado, percebeu que encontrou conforto e prazer em arrastar outra criança para a mesma situação que vivera.

Um ricto horrível tomou conta de sua face disforme, e rastejando na escuridão, o antigo menino que tinha medo do desconhecido pensou: "Nada mal para o meu primeiro dia como o monstro debaixo da cama".